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Constança Rezende

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Líder de Bolsonaro levou suposto operador para trabalhar no governo

Constança Rezende

20/09/2019 19h26

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Imagem: Pedro Ladeira – 28.mar.2019/Folhapress

 

O líder do governo de Jair Bolsonaro (PSL) no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), levou o homem apontado como seu operador em esquema de recebimento de propina para exercer cargos públicos por onde passou.

Iran Padilha Modesto, suspeito de receber dinheiro de empreiteiros em nome de Bezerra, esteve lotado em cargos públicos pelo menos de 2010 a 2012, de acordo com levantamento feito em diários oficiais da União e do governo de Pernambuco.

Em março de 2011, quando Bezerra ocupava o cargo de ministro da Integração Nacional de Dilma Rousseff (PT), ele nomeou Modesto para trabalhar como assessor na pasta. Ele exerceu o cargo até fevereiro de 2012, como nível 101.4, que hoje recebe o salário de R$ 10.373. Em 2011, o valor era de R$ 6.843,76.

Modesto também foi nomeado para ser ordenador de despesas da secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, em 2010, quando o senador comandava a pasta. A ligação do senador com o ex-funcionário também aparece no campo eleitoral. Em 2012, Modesto foi coordenador financeiro da campanha eleitoral à Prefeitura de Petrolina (PE) do deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE), filho do senador e também citado no esquema.

Procurada, a defesa do senador Fernando Bezerra afirmou que a acusação da PF (Polícia Federal) de que Modesto seria seu operador não procede. "Não há e nunca houve nada neste sentido", respondeu. Sobre as nomeações, a assessoria afirmou que "elas são públicas". Modesto não foi localizado pela reportagem.

Bezerra foi alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta feira (19) que investiga suspeitas de pagamento de propina  por empreiteiras ligadas às obras de transposição do rio São Francisco. Os contratos foram realizados quando o senador era ministro da Integração no governo Dilma.

Um dos delatores do esquema, o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, gravou um diálogo com Modesto, em fevereiro de 2017, em que foi discutido o pagamento de uma dívida de R$ 1,7 milhão, contraída pelo senador em 2014 para custear gastos de campanha dele e do filho.

No diálogo, Modesto afirma que o senador poderia utilizar a Prefeitura de Petrolina, comandada por um de seus filhos, para quitar a dívida. O áudio da conversa passou por perícia da Polícia Federal, que não constatou indícios de adulteração.

Após a deflagração da operação, Bezerra Coelho afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e disse considerar que houve excesso na decisão judicial que autorizou a operação.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

É colunista do UOL, em Brasília. Passou pelas redações do Estadão, Jornal O Dia e Jornal do Commercio.

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