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Procuradores consideram ida de Aras ao Planalto um tributo à Presidência

Constança Rezende

26/09/2019 16h55

Presidente Jair Bolsonaro participa de solenidade de posse do novo procurador-geral da República Augusto Aras, no palácio do Planalto, ao lado do vice-presidente Hamilton Mourão, do presidente do STF Dias Toffoli e do ministro da Justiça Sérgio Moro – Pedro Ladeira – 26.set.2019/Folhapress

O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, não tem nem 24 horas no cargo, mas já recebe críticas entre a classe. Procuradores do órgão ouvidos pela reportagem reclamam que Aras ainda não se pronunciou para a classe, o que deveria ser um de seus primeiros atos.

A situação de Aras entre os procuradores piora porque, nesse tempo, ele já se encontrou duas vezes com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e resolveu fazer a sua cerimônia de posse no Planalto.

Um ex-procurador-geral da República disse à reportagem, sob a condição de anonimato, que Aras ir ao Palácio "é mais do que um desprestígio institucional, é um tributo à presidência da República".

"Era para o presidente ter vindo à PGR para esta cerimônia, como um gesto de respeito ao órgão, e não o contrário", disse.

Já uma subprocuradora disse que era esperado que o novo procurador-geral enviasse ao menos uma mensagem interna para os procuradores anunciando suas diretrizes ao órgão.

"Aras foi agradecer ao presidente e não enviou um e-mail à classe", afirmou.

Uma fonte ligada à ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) ressaltou que o silêncio de Aras é ainda mais incômodo tendo em vista que ninguém do órgão sabe de suas intenções para a classe, já que ele não foi candidato à lista tríplice da instituição.

"O novo PGR deveria vir falar conosco porque, além de contribuir para o sentimento de união da classe, também favoreceria a sua posição de liderança", disse.

 

Sobre a Autora

É colunista do UOL, em Brasília. Passou pelas redações do Estadão, Jornal O Dia e Jornal do Commercio.

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